És a neve que cai

Eu sou a folha amarelada e sem vida que cai da árvore, já despida pelo inverno agreste. Tu és o ramo que dobra com a passagem do vento, mas que se mantém erguido e imponente.
Eu sou a planta aprisionada sob um manto espesso de neve. Tu és um floco da neve que cai sem parar e que, indiferente, transforma a paisagem por completo.
Eu sou a água que corre, quando o sol aparece e derrete o gelo. Tu és o vento que sopra e assobia, cruel e frio.
Sou um banco de jardim, velho e abandonado. Em tempos, fui ponto de encontro, testemunho de palavras de afeto, sorrisos de encontros, lágrimas de desencontros, beijos de despedida. Agora, sou apenas parte de um retrato onde falta amor e sobra solidão. Serás tu o caminho estreito que vai encher este quadro de vida, novamente?

Créditos da imagem: Rita Catarino
Poderão ver mais fotografias aqui.

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