“Gosto de ti até ao infinito”

“Gosto de ti até ao infinito”, dissera-lhe, um dia, enquanto desenhava o símbolo com o polegar na areia da praia, ainda húmida. Com os seus grandes olhos castanhos e redondos, a menina seguia aquele dedo forte do pai, sem perceber muito bem o que queria dizer com aquela espécie de oito. Mas pareceu-lhe um gesto tão bonito que se agarrou às calças dele, já humedecidas da água salgada.
Não são muitas as imagens que guarda daquele pai que partiu cedo de mais, sem ter tempo para brincar com a sua única filha, sem ter tempo de a ver crescer, de se zangar com ela quando arranjasse o primeiro namorado. 
E, agora, adulta, a menina, que virou mulher, percebe mais do que ninguém aquele infinito apagado, minutos depois, por uma onda. Dois corações unidos por uma única linha, como deve ser a ligação entre um pai e uma filha.

Créditos da imagem: Direitos Reservados

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Um comentário

  1. Setembro 7, 2017
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