À espera de um sinal

Tanto tempo passou desde aquele abraço, o nosso último abraço. Tanto tempo, tantos obstáculos se puseram no nosso caminho, desde então. Tanta água já correu em direção ao mar. Amanheceu e anoiteceu tantas vezes.
Pedras e mais pedras amontoam-se à minha frente para que eu tenha de seguir outro caminho, outro percurso que me afaste de ti. Saio à rua, mudo de caminho para me distrair de ti, mas vejo-te a cada esquina, em cada pessoa que se cruza comigo. Vejo-te no sol que me ilumina o rosto, vejo-te no sorriso dos outros. Imagino-te nos olhares dos desconhecidos, imagino-te a ver o mesmo céu que eu, a percorrer a mesma rua que eu, a outra hora, noutra dimensão.
Tanto tempo passou desde que ouvi a tua voz pela última vez e ainda espero por um sinal teu, algo que me tranquilize e me diga que vai correr tudo bem. Tanto tempo passou desde que o meu corpo se sentiu próximo do teu. Voltarei a sentir aquela paz, aquele conforto que só senti contigo? Voltarei alguma vez a sentir os teus lábios nos meus? Tanto tempo já passou e nada espero, mas desespero por um sinal teu.

Créditos da imagem: Helena Simão

Arquivo

Seja o primeiro a comentar

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *