Segunda oportunidade

Ele viu nela algo que o cativou, mal a conheceu. Gostou da sua forma de andar, segura e firme, gostou da forma circunspecta como ela encarava a vida. Surpreendentemente, era tão diferente dele! Não era mulher de riso fácil ou de muitas palavras, mas quando sorria iluminava qualquer ambiente, até o mais sombrio.
Ela também gostou dele. Aos poucos, deixou-se apaixonar por aquele homem. Em silêncio, condenando qualquer gesto que o demonstrasse. Nunca lho disse, na esperança de o ouvir da boca dele. Mas ela não pertencia ao mundo dele e as obrigações profissionais levaram-no para longe.
Ela sofreu, novamente em silêncio, manteve uma carapaça na esperança de que ninguém soubesse do seu segredo, mostrando ao mundo que o seu coração estava intacto quando, na verdade, estava dilacerado. Sentia uma tristeza profunda, uma dor intensa por não saber se alguma vez o voltaria a encontrar.
Mas encontrou. O destino deu-lhes uma segunda oportunidade e, desta vez, ele arriscou. Afinal, tinha vivido amparado a um não que não existia. E ela voltou a sorrir, um sorriso aberto e sincero, como se fosse a primeira vez.

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