“Até breve…”

A sua gargalhada estridente era estranha e envolvente, ao mesmo tempo. Eram amigos de longa data e nunca pensara nela de outra maneira, mas naquele momento algo mudou. Estavam à conversa há horas, sob o manto gélido da madrugada, e nenhum deles mostrava sinais de querer ir embora. Percebeu que se ela fosse para longe iria sentir falta daquela gargalhada sincera. 
Naquele momento, viu-a com outras cores, como se estivesse a olhar para uma nova realidade, para uma outra mulher. Ela manteve-se alheia a tudo o que se passava na cabeça dele. Só quando se despediram e lhe disse até breve, percebeu uma ansiedade nele que nunca vira antes. Leu-lhe nos olhos que tão bem conhecia uma espécie de timidez que desconhecia. 
Separaram-se com um abraço, como era habitual entre eles. Ele sorriu como um adolescente que não sabe o que fazer. Ela devolveu-lhe o sorriso, com algumas interrogações que se esfumaram no ar frio. Não disseram nada. Ele não encontrou as palavras certas, ela não teve coragem de perguntar. Deixaram a história em aberto, sem a tentação de lerem o final.

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3 Comments

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    Reply

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