De volta

Passou tanto tempo desde que nos vimos pela última vez. Tanto tempo, que já nem sei quando foi que percorri as tuas ruas compridas e estreitas, quando foi que subi esses degraus sem fim ou caminhei por becos inimagináveis e me perdi em ruelas íngremes e sem saída. Passou tanto tempo desde que voltei a respirar esse teu ar frio e seco que, apesar disso, me sossega o espírito.
E, agora, regresso e volto a passear na tua companhia. Volto e reparo nos efeitos que a passagem do tempo teve em ti. E em mim. Volto e inevitavelmente sou transportada para o passado. Volto a momentos vividos de forma intensa, volto às gargalhadas que ecoaram na noite escura, às lágrimas que tentei esconder, quando o nevoeiro, dentro de mim, era denso e gelado.
Entre o hoje e o anteontem, passou tanto tempo! E, no entanto, é como se, afinal, o tempo não tivesse passado entre nós. Continuo a sentir-te próxima de mim, continuamos a ter aquela cumplicidade que, agora sei, não se vai perder. Tenho tanto para te contar e sei que tens todo o tempo para me ouvir.

Créditos da imagem: Helena Simão

Arquivo

Seja o primeiro a comentar

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *