Reflexos

Era a mais sorridente de todas as amigas e destacava-se naturalmente onde quer que estivesse. Acreditava nos outros como nela própria ou mais ainda. Por isso, quando o conheceu, deixou-se levar pela forma encantadora como ele se expressava. E pelos olhos. Pareciam tão puros e verdadeiros.
Pensou ter encontrado a sua alma gémea e ignorou por completo quem lhe tentou abrir os olhos. Ele não era, afinal, o reflexo dela. Era apenas alguém que gostava da conquista, gostava do percurso de seduzir uma mulher, mas não da meta. Não é que não gostasse dela, mas a verdade é que não gostava de ninguém, gostava apenas dele próprio e tudo o que fazia era unicamente para seu próprio benefício.
Mas, como os olhos não mentem, ela acabou por descobrir um ser humano que nada tinha de encantador nem de puro. Aprendeu que o amor tem caminhos obscuros da pior maneira. E aprendeu a não dar tudo de uma vez só. Os outros podem não estar preparados para receber tanto.

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