Agora

Agora que a tempestade passou, que o vento amainou e as águas voltaram a acalmar a raiva que tinham dentro, saboreio este momento de silêncio. Agora que a chuva limpou tudo o que havia para limpar, até as minhas feridas mais profundas, posso simplesmente ficar aqui a contemplar esta paisagem, a imaginá-la minha, a imaginá-la nossa enquanto os teus olhos procuram explicar tanto tempo de ausência.
Agora que o mar serenou o meu medo, não preciso de me esconder mais. Quando as dúvidas, que nos assaltam em catadupa, desaparecem, as respostas surgem claras e transparentes. Como se tivessem estado sempre lá. Agora que as nuvens se afastaram, há um pedaço de céu azul que se mostra. Mas mesmo que eu não o visse, sei que está lá e vai estar sempre: lindo e brilhante, como tudo o que a vida reserva para nós.
Agora que a trovoada foi para outras paragens, desfruto desta paz que há muito não sentia. Porque sei, simplesmente sei, que vai dar certo, que o que é para ser meu, vai chegar um dia, e que o que não me pertence, vai seguir o seu caminho. Diz-me o coração, dizem-me os teus olhos.

Créditos da imagem: Jorge Pelicano

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