Perdida de amores por São Miguel

Tinham passado pouco mais de 24 horas desde que chegara à ilha de São Miguel, nos Açores, e já me tinha perdido de amores por aquela paisagem verdejante salpicada de flores coloridas, pelo sorriso fácil dos seus moradores e pela paz que se respirava naquele pedaço de terra, tão bem protegido pelo Oceano Atlântico.
Tinha passado apenas um dia e já me tinha rendido aos inúmeros cenários bucólicos que me deslumbravam a cada passo que dava, a cada quilómetro que percorria. As três amigas que me acompanhavam estavam igualmente seduzidas por tamanha beleza.
Ao segundo dia, partimos à descoberta do Vale das Furnas, outrora um vulcão, atualmente um jardim com milhares de exemplares de plantas, fetos e arbustos, um lugar místico e especial. Sente-se no ar esse deslumbramento, respira-se essa tranquilidade que só a natureza nos dá.
Mal viram o tanque de água termal, no interior do Parque Terra Nostra, as minhas amigas não resistiram e saltaram para o lago quente. A registar cada pormenor, como que a apreciar uma obra de arte, optei por captar algumas paisagens com a minha máquina fotográfica.
Comecei a ouvir uma voz, ao longe, a chamar pelo meu nome. Ainda pensei que fosse outra Sofia, mas a insistência daquela voz masculina começou a soar-me familiar. Até que ganhei coragem e olhei para trás. Ali, a centenas de quilómetros de distância, numa ilha que eu estava ainda a conhecer, encontro a pessoa que melhor me conhecia.
Não via o Miguel há mais de 15 anos. Tinha sido para ele apenas uma aventura, só mais tarde me apercebi disso. Mas, na flor da idade, vivemos o amor como se não houvesse amanhã. Para mim, houve muitos amanhãs, até o esquecer. E agora ali estava ele, a olhar para mim, sorridente, como se estivesse feliz por me reencontrar. “Deixa-me olhar para ti, estás tão bonita!” e abraçou-me.
Sem reação, fui, aos poucos, acordando daquele sonho que estava a viver, um sonho que só poderia ter naquele lugar tão misterioso e belo.
Miguel ficara viúvo dois anos antes e, desde então, procurava repor as paredes que tinham ruído com a tragédia. As palavras que trocámos foram brotando tão naturalmente que nem parecia ter havido alguma vez distância entre nós. Foram gestos quentes e carinhosos os dele.
Quando nos despedimos, trocámos números de telefone e uma promessa. Voltaríamos a estar juntos em breve, até porque, afinal, vivíamos separados por uns escassos 20 quilómetros. Em São Miguel, voltei a perder-me de amores.

Créditos da imagem: Helena Simão
Este texto integra a rubrica “Bilhete Postal” do portal SAPO Viagens.

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2 Comments

  1. Setembro 7, 2017
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    • Helena Simão
      Setembro 25, 2017
      Reply

      Thank you for your comment!

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