A espera

A espera destrói os sonhos. A espera corrói a alma, desampara o espírito. A espera apaga qualquer chama de esperança. A espera é a eternidade do amor, a desgraça de quem ama, a tortura de quem não sabe amar, a dúvida de quem não quer amar.
Esperei demasiado tempo por ti, mesmo sabendo que não ias entrar por aquela porta, mesmo sabendo que não tinhas qualquer intenção de entrar por aquela porta. E, no entanto, tinha de esperar por ti o tempo suficiente para que os meus olhos pudessem comprovar aquilo que o meu coração sabia já há tanto tempo. Tinha de provar desse sabor amargo da espera para que, finalmente, me pudesse libertar do teu feitiço. Esperei por ti o tempo suficiente para ter a certeza de que não ias aparecer. Esperei o tempo suficiente para saber que a separação era para sempre.
A espera é querer forçar a corrente de um rio a parar, a não seguir o seu rumo até ao mar. Se nada pára, se o tempo não pára, também não devo ficar à espera. Devo levantar-me, aceitar que não vais aparecer e seguir o meu caminho sem arrependimentos e sem culpas. Sem esperar nada nem ninguém.

Créditos da imagem: Helena Simão

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