Dá-me um pouco de ti

Dá-me um pouco de céu, do teu céu, que me dê coragem para olhar para cima e acreditar. Dá-me um pouco de mar, desse mar que os teus olhos alcançam, que me dê alento para caminhar mais um pouco na areia molhada e ter fé no amanhã. Dá-me um pouco de sol, desse sol que a todos ilumina de esperança, que me dê calor suficiente para acordar a alma, adormecida pelo frio da solidão.
Dou-te um pouco do que foi o meu dia ao imaginar-te ao meu lado, quando me sento, já o sol se pôs, no café da esquina, a nossa esquina. Dou-te um pouco de esperança, quando os meus pensamentos me deixam desamparada e voam para o incerto, à tua procura. Dá-me um pouco de ti, o que já não quiseres para ti, uma palavra, um olhar, uma lembrança. Eu saberei, onde estiver, que estamos em sintonia, nem que seja por um momento, por um segundo.
Dou-te um pouco do meu coração, o que sobrou depois da tua partida tempestuosa. Ainda estou a juntar esses pedaços de vida e, aos poucos, hei-de reconstruir o meu céu e o meu mar e o meu mundo, que é nosso.

Créditos da imagem: Helena Simão

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2 Comments

  1. Setembro 7, 2017
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    Excellent read, I just passed this onto a friend who was doing a little research on that. And he actually bought me lunch since I found it for him smile Thus let me rephrase that: Thanks for lunch! “It is impossible to underrate human intelligence–beginning with one’s own.” by Henry Adams.

    • Helena Simão
      Setembro 12, 2017
      Reply

      Thank you for your comment!

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