O último beijo

Podia ter sido o último beijo. Mas foi o primeiro que trocámos, sem eu estar à espera, minimamente preparada. Paraste no meio da rua e agarraste o meu rosto com as duas mãos como se agarrasses todo o teu mundo. E, quando os teus lábios tocaram os meus, acabou o mundo como eu o conhecia até ali. Há um antes e um depois daquele beijo.
Podia ter sido o último beijo. Mas foi o primeiro que me deste o que dispensou quaisquer apresentações ou preparações. Foi o mais verdadeiro, o mais transparente, o mais infinito, o mais corajoso dos beijos. Foi amor e palavras doces, foi honestidade, foi o um de dois, o melhor de ti e de mim. Podia ter sido o último beijo. Porque depois desse momento, sem tempo a contar, sem pressa de acabar, apenas eternidade, apenas vida a acontecer, todos os outros beijos são mentira, são ansiedade, são meios beijos.
Depois desse beijo, todos os outros beijos são um quase, o que poderiam ser mas não conseguem, como um sol que desaparece escondido pelas nuvens. Podia ter sido o último beijo. Mas foi o que me fez começar a viver.

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