Tão diferentes

Éramos tão iguais nas diferenças que nos separavam. Éramos frio e calor, noite e dia, lua e sol, opostos que procuravam ansiosamente a mesma direção. Éramos tudo e nada, palavra e silêncio, sorriso e lágrima, desejo e indiferença. E fomos felizes. No instante em que me puxaste para o teu mundo e fechaste a porta, fomos felizes. No momento em que o teu beijo desvendou todos os segredos que ainda poderia guardar, fomos mais do que felizes.
Fomos um agora de promessas de que seria para sempre. Era o que nos dizia o coração ou apenas uma ilusão? Fomos uma mão cheia de sonhos, de projetos, de ideias a dois. A tua mão enchia a minha e eu não podia ser mais feliz sempre que me levavas contigo para os teus sonhos, para as ruas de um mundo onde eu queria ter ficado para sempre.
Mas todos os sonhos acabam e, quando despertei, não vi mais a tua mão, não vi mais os teus olhos cheios de esperança, cheios de primavera. Apenas me vi a mim, um corpo solitário e um coração apertado e cheio de medos.
Éramos tão diferentes no que tínhamos em comum. Não fazia sentido ficarmos presos a um momento, a uma vida, a um mundo. Não fazia sentido invertermos o sentido dos nossos destinos. Tu e eu temos mais vidas, mais mundos.

Créditos da imagem: Helena Simão

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