Sentidos

Nem sempre vamos no sentido certo. Nem sempre seguimos na direção do vento que sopra baixinho para nos lembrar qual é o nosso destino. Nem sempre os nossos braços aguentam o peso da derrota, a violência do impacto da despedida antes de tempo. Nem sempre nos lembramos onde temos de parar, quando devemos travar os nossos medos e sair da nossa bolha, daquela gruta que, pensamos nós, é o suficiente.
Nem sempre temos a coragem de olhar para nós e assumir que tudo não passou de um engano, de mais um erro que só queremos esquecer. Nem sempre o tempo parece estar do nosso lado e, ao contrário, parece brincar com os nossos medos, com as nossas vulnerabilidades.
Mas, por mais que o mundo nos pareça ao contrário ou num movimento que não conseguimos acompanhar, há sempre uma mão, há sempre um abraço que surge para nos amparar, para nos dar um pouco de alento. A esperança renasce nas mais pequenas coisas, nos gestos mais insignificantes. É sinal de que estava ainda dentro de nós e de que somos sempre mais fortes do que imaginamos. E que as voltas que a vida nos faz dar são, afinal, para nos colocar no sentido certo.

Créditos da imagem: Helena Simão

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