Diz-me que te vais lembrar

Diz-me que te vais lembrar de mim. Diz-me que vais levar-me contigo em todas as lembranças boas, em todos os laços que fizemos juntos para soltar no ar como se fossem bolas de sabão. Diz-me que vais levar o melhor de nós, exactamente quem fomos quando éramos dois a caminhar de mãos dadas sem nada recear. Tinhas o dom de afugentar todos os meus medos.
Diz-me que te vais lembrar de mim, sempre que as lágrimas insistirem em cair pelo teu rosto, como um rio que não sabe para onde ir. Deixa-as ir como me deixaste ir também. Sem culpa e sem arrependimentos. Sem a máscara da indiferença e do está tudo bem. Não faz mal abrires a porta de quem és ao mundo, tal e qual como eu te conheci, tal e qual como eu te via.
Diz-me que te vais lembrar da nossa cumplicidade, das palavras ditas em simultâneo como se adivinhássemos o rumo das nossas frases, dos silêncios em que os nossos olhos eram os comandantes de um mesmo barco, de um só caminho. Diz-me que vais guardar o calor das tuas mãos para quem mereça ser o teu mundo, mas que vais de coração aberto e de braços abertos pronto para agarrar outros mundos. Guarda o que fomos, um dia, como uma semente do que poderás vir a ser. É assim que te lembro.

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