São Miguel: o paraíso em tons de verde

Há sítios especiais que emanam uma energia tão particular que nos fazem sentir em casa. Há lugares tão simples e tão belos, nessa simplicidade de ter tudo o que precisam e de nos dar exatamente o que precisamos. Assim são os Açores. Assim é São Miguel, a maior das ilhas portuguesas com quase 750 quilómetros quadrados.
Por aqui, os recortes da serra fazem-se em muitos tons de verde que contrastam com a imensidão azul, os vales e baías guardam locais idílicos para passeios a pé, as deslumbrantes lagoas lembram a origem vulcânica deste pedaço de terra e o silêncio, esse silêncio apaziguador, inspira-se com muita calma.
Descoberta pelos navegadores portugueses no século XV, a ilha deve o seu nome ao arcanjo São Miguel, então patrono de Portugal. Rodeada pelo Oceano Atlântico, apresenta um clima temperado e húmido, sem grandes oscilações de temperatura ao longo do ano, mas com bastante chuva. É comum num só dia termos sol e chuva, calor, vento, frio e nevoeiro. Ainda assim, é agradável visitar São Miguel em qualquer altura. Temos a garantia de encontrar sempre encantos distintos e paisagens que se alteram consoante as estações, muito também devido ao facto de toda a ilha ser um autêntico jardim. São características as hortênsias, as camélias ou as azáleas.
A agro-pecuária é uma das principais fontes de rendimento da ilha, pelo que é comum encontrarmos vacas a pastar livremente pelos campos. Existem cerca de 137 mil vacas tantas quantos os habitantes de São Miguel. O turismo tem vindo a crescer, sobretudo graças às viagens low-cost. Os elogios rasgados a este pedaço de paraíso vêm de todo o lado e o mundo todo já se rendeu a este recanto da natureza.
A Lagoa das Sete Cidades, vista a partir do Miradouro Vista do Rei, é a imagem mais célebre e pode servir de ponto de partida para conhecer esta terra abençoada. Daqui, conseguimos ver as duas lagoas, uma de cor verde, a outra de cor azul. Vale a pena descer até às margens da lagoa azul e, com toda a tranquilidade que o lugar nos presenteia, desfrutar desta paisagem em sintonia com os nossos sentidos.

Para ver as lagoas de outro ângulo, é preciso ir até ao Miradouro da Grota do Inferno, que fica junto à Lagoa do Canário. Num dia com boa visibilidade, e porque estamos a 730 metros de altura, é possível ver também a Lagoa Rasa, a Lagoa de Santiago, o mar, a montanha e uma vegetação selvagem, num cenário absolutamente deslumbrante.
Partimos em direção ao nordeste, muitas vezes esquecido pelos principais roteiros. Percorrer a estrada principal que dá a volta à ilha é sermos surpreendidos a cada passo, a cada curva, a cada quilómetro. Nesta zona, há uma beleza mais selvagem e arvoredo mais austero, há baías e enseadas perturbadoras, quedas de água e miradouros mágicos, sempre com o mar como pano de fundo. Um dos pontos de paragem obrigatória é o Farol do Arnel, o primeiro a ser instalado nos Açores, em 1876. O Miradouro de Santa Iria é outro local a assinalar.
Partimos em direção à zona mais central da ilha e encontramos o Vale das Furnas, que, na realidade, é uma cratera com sete quilómetros de diâmetro. Possui centenas de nascentes e cursos de água e, claro, as fumarolas. O cheiro a enxofre é intenso e misturarmo-nos neste cenário é uma experiência curiosa e peculiar. É aqui, neste chão a fervilhar, que é confecionado durante cerca de seis horas o prato mais famoso da ilha: o cozido.
Antes ou depois do almoço, é obrigatória uma visita ao Parque Terra Nostra. Não é à toa que é considerado um dos mais belos jardins do mundo. Foi no século XVIII que o cônsul honorário dos Estados Unidos estabelecido na ilha mandou construir uma casa de madeira e um grande tanque de água com uma ilha no meio. A propriedade acabou por mudar de mãos e cresceu, tendo atualmente cerca de 12 hectares. A piscina de águas férreas termais de cor acastanhada está rodeada por arvoredo abundante e convida a um banho quente, com temperaturas entre os 35 e os 40 graus. Mas vale a pena seguir os percursos assinalados pelo parque, conhecer os belos jardins, percorrer as alamedas sombrias e enigmáticas e sentir os intensos aromas da enorme variedade de flores. O parque tem uma das maiores colecões de camélias do mundo, com mais de 600 exemplares.
As águas quentes que brotam do solo são também as protagonistas de outro lugar especial, que não fica muito longe dali. A Poça da Dona Beija, conhecida como “Poço da Juventude” encontra-se na margem de um pequeno braço da ribeira dos Lameiros. São cinco tanques com água quente, a cerca de 39 graus. A sensação de ali mergulhar é indescritível e faz-nos sentir revigorados para prosseguir com o resto da viagem.
Há outro local fantástico à nossa espera: a Lagoa do Fogo, a mais alta da ilha. Situada no topo da serra de Água de Pau, apresenta uma cor azul intensa. Se o tempo estiver de feição, vale a pena percorrer o trilho a pé que nos leva até junto da água.

Para terminar a viagem de olhos postos no mar, visitamos a mais antiga plantação de chá da Europa. A fábrica de chá Gorreana funciona desde 1883 e, até aos dias de hoje, pouco mudou na forma de produção. Aqui se produzem 33 toneladas de chá verde e preto por ano a partir da planta Camellia Sinensis. O edifício encontra-se aberto ao público e, no final da visita, podemos beber chá com vista para a extensa plantação.

Créditos das imagens: Nathalie Aguiar

 

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