São Miguel: lugares mais especiais – parte II

A maior ilha dos Açores tem paisagens arrebatadoras, que nos encantam em qualquer época do ano. Apesar de ser conhecida como a ilha verde, é a água das lagoas e das ribeiras que assume um protagonismo especial.
Esta é a segunda parte de um roteiro por alguns dos lugares de São Miguel que considero mais especiais.

Lagoa do Fogo
É a mais alta da ilha, já que se localiza no topo do grande vulcão do Fogo, também conhecido como vulcão de Água de Pau, e é a segunda maior lagoa, ocupando uma área de cerca de 1460 hectares. As suas águas azuis tiram-nos o fôlego, assim que descobrimos a lagoa à beira da estrada, quando paramos o carro no miradouro.
A caldeira vulcânica, tal como o vulcão que lhe deu forma, é a mais recente de São Miguel, com cerca de 15 mil anos. Mas a última erupção foi há cerca de 500 anos. Existe um trilho pela encosta até à base da lagoa, de cerca de 400 metros.
Lá em baixo, há uma praia selvagem muito procurada no verão. É mais um local rico em flora e fauna, sendo frequente vermos aves de rapina a voarem sobre esta lagoa. É mais um lugar onde a natureza se esmerou e que nos preenche os sentidos.

Lagoa das Furnas
Deparamo-nos com a lagoa à beira da estrada, ao chegar à povoação das Furnas, vindos de São Miguel. Encontra-se a uma cota de altitude que ronda os 600 metros. Tão calma e tão serena, a contrastar com as abundantes manifestações vulcânicas do tipo fumarola e caldeiras de águas ferventes, que encontramos numa das suas margens. É aí que são feitos os tradicionais cozidos à portuguesa, com o calor que provém da terra, servidos na maioria dos restaurantes da localidade.
Noutra margem, encontramos uma curiosa capela dedicada a Nossa Senhora das Vitórias, inaugurada em 1886, uma pequena maravilha artística de estilo neo-gótico. Vale a pena passear um pouco junto às suas margens e apreciar a abundante vegetação. Outro dos pontos obrigatórios é o miradouro do Pico do Ferro, que permite ver a lagoa e toda a povoação das Furnas.

Ribeira dos Caldeirões
De encantos mil, a ilha de São Miguel surpreende a acda passo, em cada caminho, em cada estrada. É o que acontece com a queda de água da Ribeira dos Caldeirões, localizada na freguesia da Achada, vila de Nordeste. É parte integrante do parque natural com o mesmo nome e inclui duas bonitas cascatas, cinco antigos moinhos de água do século XVI, que foram restaurados, e um parque de merendas.
Por aqui, é abundante a flora macaronésia, dominada pela Laurissilva e fetos arbóreos de grande porte. Vê-se a partir a estrada, pelo que o seu acesso não tem qualquer dificuldade, ao contrário de outras cascatas da ilha.

Salto da Farinha
Continuamos no concelho de Nordeste, desta vez, na freguesia de Salga, repleto de lugares encantados e surpreendentes. O Salto da Farinha é uma queda de água que se despenha num precipício de cerca de 40 metros de altura. O nome vem da moagem de cereais que ali se fazia antigamente.
Para lá chegar, temos de estacionar o carro junto a um parque de merendas, descer a pique um caminho de cerca de 500 metros até chegar a uma zona de lazer e, de seguida, atravessar uma pequena ponte e continuar o carreiro pelo meio do denso arvoredo. É um percurso bonito e silencioso até nos aproximarmos da cascata, com poucos turistas, sobretudo durante o inverno. A água segue, depois, saltitante sobre as pedras por um ribeiro em direção ao mar.

Salto de Cabrito
Próximo de Ribeira Grande, a caminho da Lagoa do Fogo, junto à central geotérmica do Pico Vermelho, encontramos uma indicação para o Salto de Cabrito. O caminho é também de declive acentuado, existindo a possibilidade de seguir de carro e estacioná-lo mais perto da cascata. Uma pequena placa diz-nos para onde ir e, basta atravessar alguns pedregulhos, para nos aproximarmos da ribeira e da zona da cascata, uma imponente queda de água com cerca de 40 metros de altura. Durante o Verão, é um local bastante procurado por turistas para tomar banho.

Créditos das imagens: Helena Simão
Este texto integra a rubrica “Viajar” do portal SAPO Viagens.

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