Desequilíbrio

Há dias que arrasam com a tua paciência, que testam o teu foco ao limite, que desafiam a tua paz. Há dias que perturbam a tua essência, que abalam, como se fossem vento forte, aquilo que és. Há dias que te deixam sem fôlego, sem saída, sem esperança, como se o amanhã fosse um pensamento penoso, uma ferida que não cicatriza.
Há pessoas que afetam a tua forma de estar e de reagir, que alteram o estado de tranquilidade em que procuras viver. Há pessoas que te empurram para onde não queres ir, que te querem obrigar a fazer o que não queres, a ser alguém que não és. Há situações que nos arrastam para becos sem saída, que nos colocam em caminhos que nunca escolheríamos, que nos obrigam a ceder, a recuar ou a atirar-nos para o desconhecido, sem qualquer rede.
Há situações que nos levam a descobrir que somos muito mais do que marionetas, do que linhas recortadas de uma folha de papel, do que sombras numa rua sem saída. Há obstáculos que surgem na nossa vida quando já estamos demasiado cansados para os enfrentar, quando os dias, os momentos, o tempo que passou foi uma constante batalha, uma desgastante luta.
Não é sempre assim. Nem a bonança dura sempre nem a tempestade é eterna. É neste desequilíbrio em que vivemos que reside o equilíbrio da vida. Porque há sempre os outros dias, os outros momentos, as outras pessoas, as outras situações. Que valem a pena. Que limpam qualquer mágoa. Que nos enchem de amor. Que nos fazem sorrir por nada e acreditar por tudo.

Créditos da imagem: Helena Simão

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