Saudade

O que fazer quando a saudade é maior do que nós e, como uma seta, nos trespassa certeira o coração? O que fazer com o vazio que ficou, com todo um imenso espaço livre e aprisionado a nós? O que fazer com a ausência, com todo o silêncio que toma conta de nós e nos paralisa os movimentos? O que fazer com todas as palavras que ficaram por dizer, com todos os beijos que ficaram por dar?
O tempo ajuda a cicatrizar as feridas, acalma o bater do coração, ameniza a angústia da perda. Mas o tempo não diminui a saudade. Nada diminui a saudade quando se ama. Em cada esquina, em cada rua, cruzo-me com estranhos e imagino como seria se ainda estivesses aqui, ao meu lado. Andarias comigo de mão dada pelos meus caminhos de todos os dias? Levar-me-ias a conhecer novos percursos? A cada dia que passa, cresce a vontade de te voltar a ver e, no entanto, sei que nada nem ninguém nos poderá colocar no mesmo local à mesma hora.
Cresce a saudade, cresce o vazio, à medida que o tempo passa. Não há coisa como esquecer a saudade. Não. Aprende-se a domá-la e a torná-la mais suportável, menos pesada. Aprende-se a lidar com ela, como algo que faz parte de nós e que está dentro de nós.
A saudade é a prova de que fomos felizes, um dia.

Créditos da imagem: Catarina Gouveia
Poderão ver mais fotografias em facebook.com/CatarinaGouveiaActriz

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