Tranquila

Estou tranquila. Ao olhar para tamanha beleza, para este quadro perfeito criado e pintado por uma mão invisível, sorrio. Não posso pedir mais nada, apenas agradecer cada pedaço desta magnífica tela que parece demasiado atraente para ser real. Mas é e eu aqui estou a tentar absorver um pouco desta energia pura, que emana diretamente do coração da natureza. Estou finalmente em paz. Tudo o que vivi para chegar a este momento valeu a pena.
Subi tantos degraus, percorri caminhos tão sinuosos, deixei bocados de mim noutros lugares só para chegar a este momento e sentir-me apenas tranquila. Para apenas precisar de respirar e sentir-me mais viva do que nunca. Deixei lá atrás a manta esburacada que eu acreditava proteger-me do frio, o calor enganador de um amor que era apenas a sombra de um sonho que só eu experienciei. Deixei lá atrás os dias que contava, as noites em que acordava, na esperança de que a porta se abrisse do lado de fora e me trouxesse o que mais ansiava.
Mas a porta tem de se abrir de dentro para fora, do meu coração para o mundo e agora, aqui, enquanto me alimento deste pedaço de paraíso, percebo que só podia ser assim e de nenhuma outra maneira. Todas as dores que vivi foram uma oportunidade para chegar a este lugar neste momento. Olhos nos olhos para a verdade. E estou tranquila.

Créditos da imagem: Helena Simão

Arquivo

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