Deixei-te ir

Deixei-te ir… Não se pode impedir uma onda de rebentar na areia e regressar ao mar profundo, para recomeçar tudo de novo. Deixei-te ir… Não se pode aprisionar uma gaivota. Não, ela tem de ser livre para escrever o que entender no horizonte. Não se pode guardar uma nuvem em forma de coração por mais que queiramos. Ela tem de prosseguir, ir ao sabor do vento, dissipar-se, ganhar novas formas.
Deixei-te ir… Era talvez a única maneira de te mostrar que amar é apenas isso, abrir mão do outro para que ele possa ser tudo o que quiser. Abri as mãos, aquelas que fizeram o possível para que as tuas mãos continuassem a segurar as minhas. Abri as mãos, libertei o nada que estava preso para que o tudo pudesse um dia regressar, para que pudesse encontrar a minha paz.
Deixei-te ir… Só podia ser assim. Só assim eu poderei continuar a respirar este mar sereno e tempestuoso e sentir que faço parte dele. Só assim poderei sorrir para as gaivotas que dançam ao som do bater do teu coração. Só assim terei as mãos libertas para quando as quiseres agarrar. Se decidires voltar.

Créditos da imagem: Helena Simão

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