Devia…

Devia ter-te dado a mão sem complexos, sem vergonha, sem medo. Devia ter-te dito ‘gosto de ti’ naquela manhã. Nunca sabemos quando o tempo nos falta e o espaço se dilui na distância. Devia ter-te dado o meu ombro em vez de te dar motivos para chorares. Devia ter-te dado o meu coração em vez de razão.
Devia ter-te dado flores, arco-íris pintados no céu e gestos de amor. Devia ter-te dado um abraço forte na despedida, que seria igual a tantas outras se não tivesse sido a última. Devia ter murmurado ao teu ouvido ‘obrigada’ por todos os muitos em que transformaste os nadas que eram a minha vida. Devia ter sido um livro em branco em vez de uma montanha íngreme e cheia de obstáculos.
Devia ter sido fácil, devia ter fluido, devia ter atravessado, devia ter libertado. Não é assim o amor? Em vez disso, dei-te desilusão, angústia e sofrimento. Dei-te o eco dos meus passos a irem embora na esperança, no desejo vão de que não era para sempre. Devias ter-me dado coragem em vez de silêncio.

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