Há um motivo

Há um motivo para teres aparecido no meu caminho, mesmo que já te tenhas despedido na esquina do meu mundo. Não é o adeus que vou guardar, mas todos os entretantos, todas as vírgulas, todas as curvas em que surgiste com um sorriso que me desarmou. Há um motivo para te ter conhecido, mesmo que ainda não saiba qual é.
Cuidaste de mim sem saberes, deste-me a força que precisava no momento em que mais necessitava dela. E fizeste tudo isso com a simplicidade de quem anda de mãos nos bolsos a assobiar para o lado, como se não soubesses que és um anjo da guarda, que agora está a cuidar de outra pessoa, de outra alma perdida. Há um motivo para me teres dado a mão, para teres ido ao mais profundo dos meus olhos dizer que acreditavas em mim, que sabias que eu iria ser capaz de saltar do comboio em movimento.
Há um motivo para teres vindo mesmo que já tenhas ido. Há um motivo para te guardar em mim, como se te tivesses tornado uma parte do mim. Ensinaste-me que a vida não tem de ser uma coisa tão séria, não tem de ser cinzenta e taciturna. Sacudiste a minha tristeza, foste uma estrela no meu céu coberto de nuvens, uma lua cheia num mundo despido de luz. Não foi um adeus, eu sei, foi um até já.

Créditos da imagem: Helena Simão

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