Perdoa-me

Perdoa-me por não ter conseguido desprender-me de ti. A tua pele ficou colada à minha. O contorno do teu corpo dissolveu-se no meu. As tuas mãos ficaram gravadas nas minhas e só elas conhecem a chave das minhas emoções.
Perdoa-me por não ter ido ao teu encontro mais cedo. O teu espaço estava muito longe do meu e só quando me aproximei de ti percebi que era no teu espaço que eu queria morar, que era no teu abraço que me poderia descobrir. Perdoa-me se não foi claro, se não foi avassalador, se não foi assustador. Só o que nos assusta por dentro vale a pena. Só o que nos faz tremer as pernas, as mãos e o corpo todo vale a pena.
Perdoa-me se não fui o teu chão, se não te dei a mão, se não acalmei a tua sede, se te deixei às escuras. Perdoa-me por não conseguir esquecer, por não dar tempo ao tempo desta história que pode já ter terminado. Não era o momento, mas não pode haver enganos, mal entendidos ou coincidências no que vale a pena. Perdoa-me por ter desistido antes de descobrir que valia a pena.

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