Boa-Bao: viagem pelos sabores da Ásia

O mundo todo cabe no novo restaurante Boa-Bao, que abriu no final de Março, no Chiado, em Lisboa. Neste amplo espaço, inspirado nas cantinas típicas de Saigão, no Vietname, dos anos 20, podemos viajar, em poucos minutos, por diversos países asiáticos, numa experiência sensorial rica e intensa.
E se os sabores vêm de Oriente, há pormenores tipicamente portugueses, como as andorinhas pretas, colocadas nas paredes, e os copos para os cocktails em forma de macaco, que foram encomendados à fábrica de Rafael Bordalo Pinheiro. Não é coincidência. Afinal, estamos no largo com o nome deste artista português.
O conceito é da responsabilidade dos três proprietários, todos estrangeiros: um casal, ele americano e ela holandesa, e o chef, de nacionalidade belga. A residirem em Antuérpia, na Bélgica, Greg e Nathalie Hupert eram já apaixonados pelo sol de Portugal e habitualmente passavam férias no Algarve. Conheciam Chris Gielen, há muitos anos, responsável por uma cadeia de restaurantes naquele país.
Foi a três que surgiu a ideia de criar um projeto de inspiração asiática em Lisboa, dado que o chef é um apaixonado pelos sabores orientais e, em simultâneo, “fazia falta um restaurante com um conceito destes na capital portuguesa”, revela a responsável de Marketing, Isabel Esteves. O sonho demorou dois anos a concretizar-se e, entre os vários obstáculos, estava a dificuldade em encontrar um espaço que fosse o “tal”. Até que apareceu, no coração da cidade, numa zona privilegiada de Lisboa, por onde passa diariamente gente de todo o mundo.
Com uma decoração original e descontraída, saltam à vista os pormenores, nenhum deixado ao acaso. Conta-nos a responsável de Marketing que o espaço sofreu uma ampla remodelação, mas manteve o chão em pedra e o teto abobadado. Com uma esplanada exterior e um jardim interior, além da sala principal, o Boa-Bao disponibiliza diversos ambientes num só.


O nome é, ele próprio, uma homenagem a Portugal e ao Oriente, numa referência à expressão “na boa” que os proprietários ouviam quando vinham passar férias ao nosso país e ao pão asiático cozinhado a vapor, que se chama gua bao. Bao também significa precioso em chinês. (https://www.boabao.pt)
Mas vamos ao menu, que nos convida a sermos “aventureiros”. Partimos, então, curiosos, à descoberta dos melhores sabores originais da Malásia, Laos, Vietname, Tailândia, Cambodja, Indonésia, Filipinas, Coreia, China e Japão. Tal significa que os pratos picantes são picantes e não foram adaptados ao gosto europeu. Todos estão identificados e os funcionários, de uma simpatia contagiante, dão uma ajuda.
Das entradas aos pratos de wok e caril, das sopas às saladas, sem esquecer as sobremesas, a ementa é um verdadeiro apelo aos sentidos e às memórias para quem já teve a sorte de conhecer alguns dos países de onde provêm estas receitas. Para entrada, há sortidos de “dim sum”, de origem cantonesa, há chamuças de vegetais, da Índia, e há pastéis de peixe da Tailândia, entre outras iguarias.


Segui a sugestão da Isabel, que me trata como se já fosse da casa, e deliciei-me com a tosta de pão frito com camarão, porco e sésamo, sabores fortes, mas muito equilibrados, e que me deixaram com as expetativas elevadas para o prato principal. Depois de ver na ementa Pad Thai de camarão com noodles de arroz e rebentos de soja, já não tive olhos para as restantes opções. Rendi-me a este prato quando estive na Tailândia. Assim que dei a primeira garfada, vi-me à beira-mar, de pés na areia, à sombra de um sol abrasador. É um prato suave para quem não gosta de picante, mas muito exótico e sofisticado.
A apresentação é muito cuidada e os sabores estão lá todos nas proporções exatas, revelando-se pela ordem certa. Quem prefere sopas, pode optar pela tailandesa de noodles de arroz com frango e camarão ou pela de caril da Malásia com marisco e noodles de ovo. Quem é fã de caril e coco, vai adorar o caril Massaman de frango ou carne de vaca e coco ou o caril amarelo da Malásia de frango ou camarão ou tofu. O Japchae, noodle coreano de batata doce com carne de vaca, e a dourada grelhada com legumes asiáticos, do Vietname, são outras opções com bastante procura. E também há saladas: a Laab Gai de frango picado com ervas thai ou a de Vermicelle com camarão tigre, porco e erva príncipe.
No final, sugeriram-me que experimentasse o creme brulée de coco com manjericão e erva príncipe. Mal sabiam que eu já trazia esse sabor na memória da minha viagem às Maurícias. O resultado é uma autêntica explosão de sabores que se dissolvem suavemente na boca depois de mostrarem a sua personalidade intensa. Uma sobremesa que pode muito bem ser a culpada pelo meu regresso ao Boa-Bao. A mousse de chocolate e gengibre e o carpaccio de ananás com loempia (rolinho) de chocolate e baunilha são outras opções para adoçar a boca.


Para quem preferir levar os sabores asiáticos para casa, está disponível o serviço de take-away. O objetivo dos responsáveis é expandir o conceito, estando já prevista a abertura de um segundo Boa-Bao em Lisboa e outro no Porto. No total, estão projetados 10 restaurantes por todo o país, emboras as localizações ainda não estejam definidas.
Horário: domingo a quarta-feira – 12h às 0h; quinta a sábado – 12h às 2h
Morada: Largo Rafael Bordalo Pinheiro, 30, Lisboa

Créditos das imagens: Boa-Bao e Helena Simão
Este texto integra a rubrica “Saborear” do portal SAPO Viagens.

 

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2 Comments

  1. It’s hard to come by knowledgeable people in this particular subject, but you sound like
    you know what you’re talking about! Thanks

    • Helena Simão
      Setembro 4, 2017
      Reply

      Thank you for your comment!

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