DownUnder: restaurante australiano em Lisboa

A história do novo restaurante DownUnder, que abriu em São Bento, Lisboa, é uma história de amor entre uma portuguesa e um australiano. O resultado, além de uma fusão de culturas, é uma viagem aos sabores intensos e exóticos da Austrália, que incluem canguru e crocodilo, como não podia deixar de ser, algumas especiarias originárias da Oceânia e outros elementos de inspiração asiática, como o açúcar de palma e a couve pak-choi.
Quando foi estudar para a Austrália, tirar o curso de Hotelaria e Turismo, Sofia Gama estava longe de imaginar que a sua vida iria ficar para sempre ligada a esta viagem ao outro lado do mundo. “Era para ter ficado apenas um ano, mas acabei por permanecer muito mais tempo”, conta, sorridente. Foi na cozinha que conheceu o chef Justin Jennings, quando ambos trabalhavam num dos hotéis da cadeia Rydges, em Brisbane, e foi na cozinha que esta história começou. Dez anos depois, um casamento e dois filhos, as saudades de Portugal falaram mais alto.
Sofia desafiou Justin a abrir um restaurante em Lisboa. E, apesar da distância que o iria separar da família, o chef concordou. Quase dois anos depois de se mudarem para Portugal, inauguram, em conjunto com a irmã de Sofia, Rita Gama, o DownUnder, expressão inglesa para designar terras australianas. O nome não poderia ser mais apropriado, já que o menu é definitivamente australiano, mas tem também “apontamentos asiáticos e franceses”, revela Justin Jennings.
E agora que está a conhecer Lisboa, o chef revela ser muito fácil gostar da cidade. “Adoro a Austrália, claro, mas tudo o que eu gosto na Austrália posso fazer aqui”, como a pesca submarina, uma das suas grandes paixões. Chef há 15 anos, conta ter seguido as pisadas da mãe, cozinheira na Austrália.
O espaço, na Rua dos Industriais, não foi fácil de encontrar, admite Sofia. Mas quando conheceu o local, que era uma espécie de bar, percebeu o seu “potencial”. Seguiram-se três meses intensos de obras para chegar ao resultado final, um conceito que prima pela elegância e conforto, de linhas contemporâneas e com o branco e o dourado como cores predominantes.
O restaurante tem dois pisos e, é na cave, que encontramos arcos tradicionais portugueses em completa harmonia com alguma decoração tradicional dos aborígenes australianos, como um gecko (réptil da família dos lagartos) pintado à mão, que embeleza uma das paredes.


Mas vamos à comida, até porque não é todos os dias que podemos experimentar canguru e crocodilo. Parece estranho? Parece. É essa, aliás, “a reação habitual dos clientes”, admite Sofia Gama. Mas, “depois de provarem, as respostas são muito positivas. As pessoas adoram”, acrescenta.
Sigo a sugestão do chef e, para entrada, experimento crocodilo crocante, com salada de rúcula e molho Nahm Jim, uma explosão de sabores fortes, que se misturam na boca de uma forma surpreendente.

Rendida ao crocodilo, cujo sabor se aproxima ao de um filete de peixe, avanço para o prato principal, já sem qualquer receio de experimentar canguru. Conhecido como a vaca da Austrália, é similar também em sabor. Muito tenra e fresca, a carne, cozinhada na perfeição, combina primorosamente com legumes asiáticos.
O menu tem outras opções originais, como o canguru tártaro com caviar de fruta e o trio de manteigas da Ilha do Pico, nas entradas. A lista de pratos principais inclui peixe do dia, que acompanha com batata a murro, milho e lima, peito de pato com legumes asiáticos e geleia de figo e supremo de galinha, risotto da Indonésia de camarão e lima, entre outras sugestões. Há ainda dois pratos vegetarianos. Com a mudança de estação, deverão ser introduzidas algumas alterações. “A ideia é ter opções novas a cada três meses”, revela o chef.
A inspiração australiana chega também aos vinhos, brancos e tintos, alguns dos quais disponíveis a copo. Mas opto por uma “Lemon, Lime and Bitters”, mistura de refrigerante de lima e limão, sumo de lima e algumas gotas de Angostura.
No final, não poderia deixar de experimentar a pavlova australiana, curd de maracujá e morangos, uma sobremesa leve mas intensa, que se derrete na boca, mas fica na memória para repetir em breve.
O restaurante está aberto de segunda a sábado, das 12 às 15 horas e das 19 às 23 horas.

Créditos da imagem: Helena Simão
Este texto integra a rubrica “Saborear” do portal SAPO Viagens.

Arquivo

Seja o primeiro a comentar

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *